O que é a malária
A malária, também conhecida como paludismo, é uma doença infeciosa provocada por parasitas do género Plasmodium.
É transmitida principalmente através da picada de mosquitos fêmea do género Anopheles infetados.
A doença ocorre sobretudo em regiões tropicais e subtropicais e pode tornar-se grave ou potencialmente fatal se não for diagnosticada e tratada rapidamente.
No entanto, a malária pode ser prevenida e tem tratamento.
Como se transmite a malária
A transmissão acontece principalmente quando um mosquito Anopheles infetado pica uma pessoa e introduz os parasitas na corrente sanguínea.
Depois da infeção, os parasitas passam inicialmente pelo fígado e, posteriormente, infetam os glóbulos vermelhos.
É esta fase da infeção que está associada a muitos dos sintomas característicos da doença.
A malária transmite-se de pessoa para pessoa
A malária não se transmite através do contacto quotidiano entre pessoas, como apertos de mão, abraços, tosse ou espirros.
A principal forma de transmissão é a picada de mosquitos infetados.
Existem outras formas muito menos frequentes de transmissão através de sangue infetado, como transfusões contaminadas, partilha de agulhas ou transmissão da mãe para o bebé.
Que parasitas causam malária
Existem várias espécies de Plasmodium capazes de provocar malária em seres humanos.
Entre as mais importantes encontram-se:
- Plasmodium falciparum
- Plasmodium vivax
- Plasmodium ovale
- Plasmodium malariae
- Plasmodium knowlesi
O Plasmodium falciparum é particularmente importante porque está associado às formas mais graves da doença e predomina em grande parte do continente africano.
Em que países existe risco de malária
A malária ocorre principalmente em regiões tropicais e subtropicais.
Existem áreas de transmissão em países de:
- África
- Ásia
- América Central e América do Sul
- Oceânia
O risco pode variar significativamente dentro do mesmo país e depender da região, altitude, época do ano e condições locais.
Por esse motivo, não é suficiente saber apenas qual o país de destino. O itinerário completo deve ser considerado antes da viagem.
Quanto tempo demora a malária a causar sintomas
O período entre a infeção e o aparecimento dos sintomas pode variar consoante a espécie de parasita.
Os primeiros sintomas surgem frequentemente cerca de 10 a 15 dias depois da picada de um mosquito infetado, embora possam aparecer mais cedo.
Em algumas formas de malária, os sintomas podem surgir semanas ou mesmo meses depois da exposição.
Por isso, é importante mencionar sempre uma viagem recente a uma zona de risco quando procura cuidados médicos por febre.
Quais são os primeiros sintomas da malária
Os sintomas iniciais são pouco específicos e podem parecer uma gripe ou outra infeção febril.
Entre os mais frequentes encontram-se:
- Febre
- Calafrios
- Dor de cabeça
- Suores
- Dores musculares
- Cansaço
- Mal-estar geral
- Náuseas
- Vómitos
Nem todas as pessoas apresentam todos estes sintomas e o padrão pode variar ao longo da doença.
A febre da malária aparece sempre em ciclos
Não necessariamente.
Embora a malária seja tradicionalmente associada a episódios de febre e calafrios que surgem ciclicamente, este padrão nem sempre está presente, sobretudo no início da infeção.
Uma febre sem padrão definido numa pessoa que esteve numa região de risco pode também ser malária.
Quais são os sinais de malária grave
Algumas infeções podem evoluir rapidamente para doença grave, especialmente quando são provocadas por Plasmodium falciparum.
Entre os possíveis sinais de gravidade encontram-se:
- Alteração do estado de consciência
- Confusão
- Sonolência intensa
- Convulsões
- Dificuldade em respirar
- Anemia grave
- Icterícia
- Urina escura ou com sangue
- Hemorragias anormais
- Alterações da função renal
- Fraqueza extrema
A malária grave é uma emergência médica e necessita de tratamento hospitalar imediato.
Porque é que a malária pode ser fatal
Nas formas graves, os parasitas podem afetar intensamente os glóbulos vermelhos e a circulação sanguínea nos pequenos vasos.
Isto pode comprometer diferentes órgãos e provocar complicações como:
- Alterações cerebrais
- Anemia grave
- Insuficiência renal
- Problemas respiratórios
- Alterações da coagulação
- Falência de vários órgãos
Na malária por Plasmodium falciparum, a deterioração pode acontecer rapidamente, razão pela qual o diagnóstico precoce é tão importante.
Quem tem maior risco de desenvolver malária grave
Qualquer pessoa infetada pode desenvolver complicações, mas existem grupos com maior risco.
Entre eles encontram-se:
- Bebés e crianças pequenas
- Grávidas
- Pessoas com VIH ou outras condições que afetem o sistema imunitário
- Viajantes provenientes de regiões sem transmissão habitual de malária
- Pessoas sem imunidade parcial à doença
A malária durante a gravidez é perigosa
Sim. A malária durante a gravidez pode representar riscos importantes para a mãe e para o bebé.
Pode estar associada a complicações como doença materna grave, anemia, parto prematuro e baixo peso do bebé ao nascer.
Uma mulher grávida que planeia viajar para uma região com transmissão de malária deve procurar aconselhamento médico antes da viagem.
Na Lifefocus, uma consulta de Obstetrícia pode ajudar a avaliar riscos de saúde associados a viagens durante a gravidez.
A malária tem cura
Sim. A malária pode ser tratada e curada quando é diagnosticada e tratada adequadamente.
O tratamento deve começar o mais cedo possível, sobretudo nas infeções por Plasmodium falciparum.
O medicamento escolhido depende de vários fatores, incluindo:
- Espécie de Plasmodium
- Região onde ocorreu a infeção
- Possíveis resistências aos medicamentos
- Gravidade da doença
- Idade
- Gravidez
- Outras doenças existentes
Ter malária dá imunidade para o resto da vida
Não.
Uma pessoa pode voltar a contrair malária depois de já ter tido a doença.
Em populações que vivem durante muitos anos em zonas de transmissão intensa pode desenvolver-se alguma imunidade parcial, mas esta não garante proteção completa contra novas infeções.
Por isso, mesmo quem já teve malária deve continuar a seguir medidas preventivas.
Como é diagnosticada a malária
Perante suspeita de malária, é necessário realizar testes que permitam identificar a presença do parasita.
Os principais métodos incluem:
- Observação de sangue ao microscópio
- Testes rápidos de diagnóstico
A microscopia permite visualizar os parasitas e pode ajudar a determinar a espécie e a quantidade de parasitas presentes no sangue.
Os testes rápidos podem fornecer resultados em pouco tempo e ser úteis quando a microscopia não está imediatamente disponível.
Uma análise negativa exclui sempre malária
Nem sempre.
Quando existe uma forte suspeita clínica, pode ser necessário repetir os testes, porque a quantidade de parasitas no sangue pode inicialmente ser demasiado baixa para ser identificada.
A decisão é feita pelos profissionais de saúde de acordo com o risco, sintomas e resultados laboratoriais.
O que deve fazer se tiver febre depois de uma viagem
Se desenvolver febre depois de regressar de uma região onde existe malária, deve procurar avaliação médica rapidamente e informar claramente que esteve numa zona de risco.
É importante indicar:
- Países e regiões visitados
- Datas da viagem
- Duração da estadia
- Se tomou medicação preventiva
- Qual o medicamento utilizado
- Se houve falhas na toma
Não deve assumir que se trata apenas de uma gripe ou outra infeção comum.
A malária pode aparecer meses depois de uma viagem
Sim.
Embora muitas infeções provoquem sintomas nas primeiras semanas, algumas espécies de Plasmodium podem provocar manifestações mais tardias.
Por isso, quando existe febre inexplicada, é importante informar o médico sobre viagens anteriores a regiões com malária, mesmo que não tenham ocorrido nos dias imediatamente anteriores.
Como é tratada a malária
Existem diferentes medicamentos antimaláricos.
Nas formas não complicadas podem ser utilizados medicamentos administrados por via oral.
Nos casos graves é necessário tratamento hospitalar urgente e podem ser utilizados antimaláricos por via intravenosa.
O esquema de tratamento deve ser escolhido por profissionais de saúde de acordo com a espécie do parasita, gravidade e local onde ocorreu a infeção.
É possível prevenir a malária
Sim. A prevenção combina duas estratégias principais:
- Reduzir o risco de picadas de mosquito
- Tomar medicação preventiva quando indicada para o destino
Nenhuma destas medidas oferece proteção absoluta quando utilizada isoladamente.
Por isso, mesmo uma pessoa que esteja a tomar medicação preventiva deve continuar a utilizar repelente e restantes medidas de proteção contra mosquitos.
Existe vacina contra a malária para viajantes
Existem atualmente vacinas contra a malária utilizadas em programas de vacinação infantil em determinadas zonas endémicas.
No entanto, estas vacinas não substituem as medidas habitualmente recomendadas aos viajantes, como proteção contra picadas de mosquito e quimioprofilaxia quando indicada.
Um viajante deve seguir as recomendações específicas para o destino e para o seu perfil individual.
O que é a profilaxia da malária
A quimioprofilaxia consiste na utilização de medicamentos antimaláricos para reduzir o risco de desenvolver a doença durante uma viagem para determinadas zonas de transmissão.
Nem todas as viagens para países onde existe malária necessitam da mesma medicação.
A escolha depende de fatores como:
- País e região visitados
- Resistências do parasita aos medicamentos
- Duração da viagem
- Idade
- Gravidez
- Doenças existentes
- Outros medicamentos utilizados
Por esse motivo, a profilaxia deve ser escolhida individualmente por um profissional de saúde.
Quando deve começar a tomar os medicamentos preventivos
Depende do medicamento prescrito.
Alguns tratamentos começam apenas um ou dois dias antes da entrada numa zona de risco, enquanto outros necessitam de ser iniciados com maior antecedência.
Também é necessário continuar a medicação durante um determinado período depois de abandonar a região de risco.
É essencial cumprir exatamente o esquema prescrito, mesmo depois do regresso.
A profilaxia protege 100% contra a malária
Não.
Os medicamentos preventivos reduzem significativamente o risco de doença quando são utilizados corretamente, mas não oferecem proteção absoluta.
Por isso, uma pessoa que desenvolva febre depois de uma viagem a uma região de risco deve ser avaliada para malária mesmo que tenha cumprido corretamente a profilaxia.
Porque é importante fazer uma consulta antes de viajar
O risco de malária varia muito entre destinos e até entre diferentes regiões do mesmo país.
Uma avaliação antes da viagem permite analisar:
- Itinerário
- Duração da estadia
- Tipo de alojamento
- Atividades previstas
- Época do ano
- Necessidade de quimioprofilaxia
- Vacinas recomendadas
- Doenças e medicação do viajante
Esta avaliação deve, sempre que possível, ser realizada com antecedência suficiente antes da partida.
Como evitar picadas de mosquito
A proteção contra mosquitos é fundamental durante toda a estadia numa zona com transmissão de malária.
É aconselhável:
- Utilizar repelente nas zonas de pele expostas
- Usar roupa que cubra braços e pernas
- Dormir em quartos com ar condicionado ou redes adequadas nas janelas quando disponíveis
- Utilizar mosquiteiros, preferencialmente tratados com inseticida, quando necessário
- Utilizar produtos adequados para tratar roupa e equipamento quando recomendado
A que horas há maior risco de picada
Os mosquitos Anopheles responsáveis pela transmissão da malária picam principalmente entre o anoitecer e o amanhecer.
Por esse motivo, deve existir especial cuidado com a proteção durante a noite.
Isto inclui utilizar repelente, roupa adequada e mosquiteiros quando as condições de alojamento não oferecem proteção suficiente.
Que repelentes podem ser utilizados
Existem diferentes substâncias eficazes para reduzir o risco de picadas de mosquito.
Entre os princípios ativos utilizados encontram-se produtos à base de:
- DEET
- Icaridina
- Outros repelentes recomendados pelas autoridades de saúde
A duração da proteção depende da concentração, produto, temperatura, transpiração e contacto com água.
Deve sempre seguir as instruções da embalagem.
Como aplicar corretamente o repelente
O repelente deve ser aplicado nas zonas de pele expostas, respeitando as indicações do fabricante.
Não deve ser aplicado:
- Nos olhos
- Na boca
- Sobre feridas
- Sobre pele irritada
Quando utiliza um produto em spray, evite pulverizá-lo diretamente no rosto. Coloque primeiro nas mãos e aplique cuidadosamente.
O repelente deve ser aplicado antes ou depois do protetor solar
Quando utiliza os dois produtos, o protetor solar deve ser aplicado primeiro e o repelente posteriormente.
É importante respeitar também os intervalos de reaplicação indicados para cada produto.
É possível aplicar repelente na roupa
Existem produtos específicos destinados ao tratamento de roupa, mosquiteiros e outros equipamentos.
A permetrina, por exemplo, pode ser utilizada em produtos próprios para esse efeito.
Não deve aplicar produtos destinados exclusivamente ao tratamento de tecidos diretamente na pele.
Como proteger crianças contra mosquitos
Nas crianças devem ser utilizados repelentes apropriados à idade e sempre de acordo com as instruções do produto.
O repelente deve ser aplicado por um adulto.
Devem ser também privilegiadas medidas físicas de proteção, como:
- Roupa que cubra a pele
- Mosquiteiros
- Alojamento protegido de mosquitos
Não deve ser aplicado repelente nas mãos das crianças pequenas, para evitar o contacto com os olhos e a boca.
Quando deve procurar assistência médica urgente
Uma pessoa que esteve numa região com transmissão de malária deve procurar avaliação médica rapidamente se desenvolver febre.
A assistência é particularmente urgente perante:
- Confusão ou alteração do estado de consciência
- Convulsões
- Dificuldade em respirar
- Icterícia
- Urina muito escura ou com sangue
- Hemorragias
- Fraqueza extrema
- Desmaio
- Agravamento rápido do estado geral
Nestas situações não deve aguardar por uma consulta programada.
Como reduzir o risco antes de uma viagem para uma zona tropical
Preparar a viagem antecipadamente permite reduzir vários riscos de saúde.
Antes da partida é importante:
- Confirmar se o destino tem transmissão de malária
- Avaliar a necessidade de medicação preventiva
- Verificar as vacinas recomendadas
- Comprar repelente adequado
- Preparar proteção física contra mosquitos
- Levar medicação suficiente para toda a viagem
- Saber como procurar cuidados médicos no destino
As recomendações podem mudar ao longo do tempo, pelo que devem ser confirmadas especificamente para cada viagem.
Perguntas frequentes sobre malária
O que é a malária?
A malária é uma doença provocada por parasitas do género Plasmodium, transmitidos principalmente através da picada de mosquitos Anopheles infetados.
Quais são os principais sintomas da malária?
Febre, calafrios, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, náuseas e vómitos estão entre os sintomas iniciais mais frequentes.
Quanto tempo demora a malária a dar sintomas?
Os sintomas surgem frequentemente cerca de 10 a 15 dias após a infeção, embora possam aparecer a partir de cerca de uma semana e, em algumas formas, apenas semanas ou meses depois.
A malária transmite-se entre pessoas?
Não através do contacto quotidiano. A transmissão acontece principalmente através da picada de mosquitos infetados, embora existam formas raras de transmissão através de sangue.
A malária tem cura?
Sim. Existem medicamentos eficazes para tratar a malária, mas é essencial que o diagnóstico e o tratamento sejam realizados rapidamente.
Ter malária uma vez dá imunidade?
Não. É possível contrair malária várias vezes ao longo da vida, pelo que devem continuar a ser utilizadas medidas de prevenção.
Existe medicação para prevenir a malária?
Sim. Para determinadas regiões pode ser recomendada quimioprofilaxia com medicamentos antimaláricos. A escolha depende do destino e das características individuais do viajante.
Tomar profilaxia garante que não vou apanhar malária?
Não. A profilaxia reduz significativamente o risco, mas não garante proteção total, pelo que deve ser combinada com medidas para evitar picadas de mosquito.
O que devo fazer se tiver febre depois de regressar de África ou outra zona de risco?
Deve procurar avaliação médica rapidamente e informar claramente os profissionais de saúde sobre o país, região e datas da viagem, mesmo que tenha tomado medicação preventiva.
Como posso evitar picadas de mosquitos durante a viagem?
Utilize repelente, roupa que cubra a pele, alojamento protegido e mosquiteiros quando necessário, com atenção especial ao período entre o anoitecer e o amanhecer.