Cancro: fatores de risco e importância da prevenção

Conheça os principais fatores de risco para o cancro, que hábitos ajudam a reduzi-los e porque são importantes a prevenção e os rastreios.

O que é o cancro

O cancro é um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento e multiplicação descontrolados de células anormais.

Estas células podem formar tumores, invadir tecidos próximos e, em algumas situações, disseminar-se para outras partes do organismo.

Existem muitos tipos diferentes de cancro e cada um apresenta características, fatores de risco, formas de diagnóstico e tratamentos próprios.

Embora nem todos os casos possam ser prevenidos, existem vários fatores de risco modificáveis sobre os quais é possível atuar para reduzir a probabilidade de desenvolver determinados tipos de cancro.

O que é um fator de risco para o cancro

Um fator de risco é uma característica, exposição ou comportamento associado a uma maior probabilidade de desenvolver uma determinada doença.

Ter um ou vários fatores de risco não significa que uma pessoa vá necessariamente desenvolver cancro.

Da mesma forma, uma pessoa sem fatores de risco conhecidos pode desenvolver a doença.

Os fatores de risco ajudam sobretudo a compreender probabilidades e a identificar oportunidades de prevenção e vigilância.

Quais são os principais fatores de risco para o cancro

Os fatores associados ao desenvolvimento de cancro podem ser divididos entre aqueles que podem ser modificados e aqueles sobre os quais não é possível atuar diretamente.

Fatores de risco modificáveis

Entre os principais encontram-se:

  • Tabagismo
  • Consumo de bebidas alcoólicas
  • Excesso de peso e obesidade
  • Inatividade física
  • Determinados padrões alimentares
  • Exposição excessiva à radiação ultravioleta
  • Algumas infeções
  • Exposição profissional a substâncias cancerígenas
  • Poluição atmosférica

Fatores de risco não modificáveis

Existem também fatores que não podem ser alterados, como:

  • Idade
  • Algumas características genéticas
  • História familiar
  • Determinadas condições hereditárias

Conhecer estes fatores pode ajudar a definir uma estratégia de prevenção, acompanhamento e rastreio adequada a cada pessoa.

Quantos casos de cancro podem ser prevenidos

Uma parte significativa dos casos de cancro está associada a fatores potencialmente evitáveis.

Entre as medidas com maior impacto encontram-se evitar o tabaco e o álcool, manter um peso saudável, praticar atividade física, proteger a pele da radiação ultravioleta e prevenir determinadas infeções.

Prevenir não significa eliminar completamente a possibilidade de desenvolver cancro, mas reduzir o risco.

O tabaco é um dos principais fatores de risco

Sim. O tabagismo é um dos fatores evitáveis com maior impacto no desenvolvimento de cancro.

O tabaco está associado não apenas ao cancro do pulmão, mas também a vários outros tipos de cancro.

Entre eles encontram-se cancros da:

  • Boca
  • Faringe
  • Laringe
  • Esófago
  • Pulmão
  • Pâncreas
  • Rim
  • Bexiga
  • Outras localizações

Também a exposição ao fumo do tabaco de outras pessoas representa um risco para a saúde.

Deixar de fumar traz benefícios em qualquer idade e reduz progressivamente o risco de várias doenças.

Para saber mais, pode consultar o artigo da Lifefocus sobre como deixar de fumar.

O álcool aumenta o risco de cancro

Sim. O consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de diferentes tipos de cancro.

Existe uma associação particularmente importante com cancros da:

  • Boca e garganta
  • Esófago
  • Fígado
  • Mama
  • Cólon e reto

Quanto maior for o consumo, maior tende a ser o risco.

Para prevenção do cancro, a opção com menor risco é não consumir bebidas alcoólicas.

Se pretende saber mais sobre os efeitos do consumo problemático de álcool, pode consultar o artigo da Lifefocus sobre alcoolismo, sinais de alerta e riscos para a saúde.

O excesso de peso aumenta o risco de cancro

O excesso de peso e a obesidade estão associados a um maior risco de vários tipos de cancro.

O tecido adiposo participa em diferentes processos hormonais, metabólicos e inflamatórios que podem influenciar o desenvolvimento de algumas doenças.

Manter um peso adequado às características individuais, através de uma alimentação equilibrada e atividade física regular, pode contribuir para diminuir este risco.

Para saber mais, pode consultar o artigo da Lifefocus sobre obesidade, causas, riscos e tratamento.

Qual é a relação entre alimentação e cancro

A alimentação influencia o risco de determinadas doenças, incluindo alguns tipos de cancro.

Uma alimentação equilibrada deve privilegiar:

  • Produtos hortícolas
  • Fruta
  • Leguminosas
  • Cereais integrais
  • Outros alimentos pouco processados

É também aconselhável limitar o consumo de carne processada e moderar o consumo de carne vermelha.

Uma alimentação saudável não garante que uma pessoa não desenvolva cancro, mas faz parte de uma estratégia global de prevenção.

Pode consultar também o artigo da Lifefocus sobre alimentação saudável e benefícios para a saúde.

A atividade física ajuda a prevenir o cancro

A prática regular de atividade física está associada a um menor risco de alguns tipos de cancro e contribui também para a prevenção do excesso de peso e de várias doenças cardiovasculares e metabólicas.

Além de praticar exercício, é importante reduzir períodos prolongados de comportamento sedentário ao longo do dia.

A quantidade e intensidade da atividade devem ser adaptadas à idade, condição física e estado de saúde de cada pessoa.

O sol pode aumentar o risco de cancro

Sim. A exposição excessiva à radiação ultravioleta é um importante fator de risco para diferentes tipos de cancro da pele.

Para reduzir o risco é aconselhável:

  • Evitar exposição solar excessiva
  • Procurar sombra nas horas de maior intensidade solar
  • Utilizar roupa, chapéu e óculos adequados
  • Aplicar protetor solar nas áreas expostas
  • Evitar solários
  • Ter especial cuidado com a exposição solar das crianças

Alterações suspeitas da pele devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Na Lifefocus, uma consulta de Dermatologia permite avaliar sinais, manchas e outras alterações da pele.

Existem infeções que podem aumentar o risco de cancro

Sim. Algumas infeções persistentes podem aumentar o risco de determinados tipos de cancro.

Entre os agentes mais relevantes encontram-se:

  • Vírus do papiloma humano, conhecido como HPV ou VPH
  • Vírus da hepatite B
  • Vírus da hepatite C
  • Helicobacter pylori
  • Vírus Epstein-Barr em determinados contextos
  • Vírus da imunodeficiência humana, através do impacto que tem no sistema imunitário

A prevenção, vacinação, diagnóstico e tratamento de determinadas infeções podem, por isso, contribuir para a prevenção de alguns cancros.

Qual é a relação entre HPV e cancro

Alguns tipos de HPV de alto risco estão associados ao desenvolvimento de diferentes cancros.

A infeção persistente por determinados tipos de HPV é a principal causa do cancro do colo do útero e está também relacionada com alguns cancros:

  • Da vulva
  • Da vagina
  • Do pénis
  • Do ânus
  • Da orofaringe

A vacinação contra o HPV é uma das principais ferramentas disponíveis para prevenir infeções pelos tipos de vírus abrangidos pela vacina e reduzir o risco de cancros associados.

A hepatite pode provocar cancro

As infeções crónicas pelos vírus das hepatites B e C podem provocar doença hepática prolongada e aumentar o risco de cancro do fígado.

A vacinação contra a hepatite B e a identificação e tratamento de determinadas infeções desempenham um papel importante na prevenção.

O Helicobacter pylori está associado ao cancro do estômago

Sim. A infeção persistente pela bactéria Helicobacter pylori está associada a um maior risco de desenvolvimento de determinados tipos de cancro do estômago.

A maioria das pessoas infetadas não desenvolve cancro, mas em situações em que existe indicação para pesquisar e tratar a infeção, essa abordagem pode contribuir para reduzir o risco de complicações.

A exposição profissional pode aumentar o risco de cancro

Algumas atividades profissionais podem envolver contacto com substâncias ou agentes cancerígenos.

O risco depende do tipo de agente, intensidade e duração da exposição e das medidas de proteção utilizadas.

É importante:

  • Cumprir as regras de segurança no trabalho
  • Utilizar os equipamentos de proteção indicados
  • Seguir os procedimentos definidos para substâncias perigosas
  • Participar nos programas de saúde ocupacional aplicáveis

As radiografias e outros exames médicos provocam cancro

Alguns exames médicos utilizam radiação ionizante, mas são realizados de acordo com princípios destinados a limitar a exposição à quantidade necessária para obter informação clínica útil.

O eventual risco associado à radiação deve ser comparado com o benefício esperado do exame.

Quando existe indicação clínica adequada, o benefício diagnóstico geralmente justifica a exposição.

Não deve evitar um exame necessário por receio da radiação sem discutir a situação com o médico.

A idade aumenta o risco de desenvolver cancro

Sim. O risco de muitos tipos de cancro aumenta com a idade.

Ao longo da vida, as células acumulam alterações e existe também uma exposição mais prolongada a diferentes fatores ambientais e comportamentais.

No entanto, o cancro pode surgir em qualquer idade e alguns tipos são mais frequentes em determinadas faixas etárias.

O cancro é hereditário

A maioria dos cancros não resulta diretamente de uma síndrome hereditária.

No entanto, algumas pessoas herdam alterações genéticas que aumentam significativamente o risco de determinados tipos de cancro.

Pode existir maior suspeita de predisposição hereditária quando:

  • Vários familiares próximos tiveram o mesmo tipo de cancro
  • Existem diferentes tipos de cancro associados na mesma família
  • Os diagnósticos ocorreram em idades invulgarmente jovens
  • Uma mesma pessoa desenvolveu determinados tipos de cancro distintos

Ter familiares com cancro não significa automaticamente que exista uma síndrome hereditária.

Quando podem ser considerados testes genéticos

Os testes genéticos não são necessários para todas as pessoas com história familiar de cancro.

Quando existe uma história pessoal ou familiar sugestiva de predisposição hereditária, o médico pode recomendar uma avaliação genética especializada.

Esta avaliação ajuda a perceber se existe indicação para realizar testes e quais as possíveis consequências dos resultados para a própria pessoa e para os familiares.

O que significa prevenir o cancro

A prevenção do cancro inclui medidas destinadas a reduzir a probabilidade de a doença surgir e estratégias que permitem detetar algumas alterações numa fase precoce.

Pode ser dividida, de forma simplificada, em:

  • Prevenção primária: reduzir a exposição a fatores de risco e promover fatores protetores
  • Prevenção através de rastreio: procurar determinadas doenças ou alterações pré-cancerosas em pessoas sem sintomas, quando existem programas recomendados para esse efeito

Nem todos os tipos de cancro têm um teste de rastreio eficaz disponível para a população geral.

Que medidas ajudam a reduzir o risco de cancro

Algumas das medidas mais importantes incluem:

  • Não fumar nem utilizar produtos de tabaco
  • Evitar exposição ao fumo do tabaco de outras pessoas
  • Evitar bebidas alcoólicas
  • Manter um peso adequado
  • Praticar atividade física regularmente
  • Manter uma alimentação equilibrada
  • Proteger a pele da exposição excessiva ao sol
  • Não utilizar solários
  • Reduzir exposições profissionais a agentes cancerígenos
  • Cumprir as recomendações de vacinação aplicáveis
  • Participar nos programas organizados de rastreio recomendados

Estas medidas não eliminam totalmente o risco, mas podem reduzi-lo de forma significativa.

Porque são importantes os rastreios oncológicos

O rastreio procura identificar determinados cancros ou alterações pré-cancerosas em pessoas que ainda não apresentam sintomas.

Quando existe evidência de benefício e o rastreio é realizado nas pessoas e intervalos adequados, pode permitir identificar algumas alterações mais precocemente.

Os programas organizados podem incluir rastreios direcionados para determinados tipos de cancro, de acordo com as recomendações nacionais.

A participação deve respeitar os critérios relacionados com idade, sexo, risco individual e periodicidade estabelecida para cada programa.

Que exames são usados no rastreio do cancro

Não existe um único exame capaz de rastrear todos os tipos de cancro.

Dependendo do tipo de doença e do programa existente, podem ser utilizados exames diferentes.

Entre os exemplos encontram-se:

  • Mamografia para rastreio do cancro da mama
  • Testes destinados ao rastreio do cancro do colo do útero
  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes no rastreio do cancro colorretal
  • Outros exames em grupos específicos quando recomendado

Uma análise ao sangue de rotina não permite excluir genericamente a presença de cancro.

A colonoscopia pode ajudar a prevenir o cancro colorretal

Em determinadas situações, a colonoscopia permite identificar pólipos e outras alterações do intestino grosso.

Alguns pólipos podem ser removidos durante o procedimento antes de evoluírem para uma lesão maligna.

A indicação para realizar uma colonoscopia depende de fatores como resultados de outros testes, sintomas, antecedentes pessoais e história familiar.

É necessário fazer exames oncológicos todos os anos

Não existe uma regra geral segundo a qual todas as pessoas devem realizar exames oncológicos anualmente.

O tipo e frequência do rastreio dependem do cancro em causa e das características individuais.

Realizar exames sem indicação não garante maior proteção e pode resultar em falsos positivos, investigações desnecessárias ou procedimentos adicionais.

A estratégia de prevenção deve ser individualizada.

O rastreio é o mesmo que diagnóstico

Não.

O rastreio é realizado em pessoas sem sintomas com o objetivo de identificar alterações numa fase precoce.

Já os exames de diagnóstico são realizados quando existem sintomas, alterações num rastreio ou outros motivos clínicos que justificam uma investigação.

Uma pessoa com sintomas suspeitos não deve esperar pela próxima convocatória de rastreio para procurar avaliação.

Que alterações do corpo devem ser avaliadas

A maioria dos sintomas comuns não significa que exista cancro.

No entanto, alterações persistentes ou sem explicação devem ser avaliadas.

Alguns exemplos incluem:

  • Nódulo ou massa que persiste ou aumenta
  • Perda de peso sem explicação
  • Alteração persistente dos hábitos intestinais
  • Sangue nas fezes ou urina
  • Tosse ou rouquidão persistente
  • Dificuldade persistente em engolir
  • Sangramento vaginal anormal
  • Alteração persistente de um sinal ou lesão da pele
  • Cansaço intenso e persistente sem causa identificada

Estes sintomas podem ter muitas causas diferentes e não confirmam a existência de cancro, mas justificam avaliação quando persistem.

Porque é importante um diagnóstico precoce

Em muitos tipos de cancro, identificar a doença numa fase inicial pode permitir mais opções de tratamento e melhores resultados.

No entanto, diagnóstico precoce e rastreio não são exatamente a mesma coisa.

O diagnóstico precoce depende também de reconhecer sintomas suspeitos e procurar avaliação atempadamente.

Quando deve procurar avaliação médica

É aconselhável procurar um profissional de saúde quando apresenta uma alteração persistente ou inexplicada, sobretudo se esta não melhora ao longo do tempo.

Também pode ser importante discutir individualmente o risco de cancro quando existe:

  • História familiar significativa
  • História pessoal de cancro ou lesões pré-malignas
  • Exposição importante a fatores de risco
  • Tabagismo atual ou anterior
  • Doenças ou infeções associadas a maior risco
  • Dúvidas sobre os rastreios adequados à idade

Na Lifefocus, uma consulta de Medicina Geral e Familiar pode ajudar a avaliar fatores de risco, sintomas e antecedentes pessoais e familiares e orientar os exames ou consultas adequados.

É possível eliminar completamente o risco de cancro

Não.

Mesmo uma pessoa que siga todas as recomendações de prevenção pode desenvolver cancro, uma vez que existem fatores relacionados com idade, genética e mecanismos biológicos que não podem ser totalmente controlados.

O objetivo da prevenção é reduzir o risco possível e aumentar as oportunidades de identificar determinadas doenças numa fase adequada.

Por isso, prevenção, participação nos rastreios recomendados e atenção a sintomas persistentes são estratégias complementares.


Perguntas frequentes sobre fatores de risco e prevenção do cancro

Quais são os principais fatores de risco para o cancro?

Tabaco, álcool, excesso de peso, inatividade física, determinadas infeções, exposição excessiva à radiação ultravioleta e alguns agentes ambientais ou profissionais estão entre os principais fatores modificáveis.

É possível prevenir o cancro?

Nem todos os cancros podem ser prevenidos, mas uma parte significativa dos casos está associada a fatores modificáveis. Reduzir estas exposições pode diminuir o risco.

Fumar aumenta o risco apenas de cancro do pulmão?

Não. O tabagismo está associado a vários tipos de cancro, incluindo pulmão, boca, garganta, esófago, pâncreas e bexiga, entre outros.

Beber pouco álcool é seguro em relação ao cancro?

O risco de alguns tipos de cancro aumenta com o consumo de álcool. Para prevenção do cancro, a opção com menor risco é não consumir bebidas alcoólicas.

A obesidade aumenta o risco de cancro?

Sim. O excesso de peso e a obesidade estão associados a um maior risco de diferentes tipos de cancro.

Existem vírus que podem provocar cancro?

Algumas infeções podem aumentar o risco, incluindo infeções persistentes por determinados tipos de HPV e pelos vírus das hepatites B e C.

Ter familiares com cancro significa que também vou ter?

Não. A história familiar pode aumentar o risco em algumas situações, mas a maioria das pessoas com familiares que tiveram cancro não desenvolverá necessariamente a mesma doença.

Uma análise ao sangue consegue detetar qualquer cancro?

Não. Não existe atualmente uma análise de rotina capaz de rastrear ou excluir todos os tipos de cancro.

Qual é a diferença entre rastreio e diagnóstico precoce?

O rastreio procura determinadas doenças em pessoas sem sintomas. O diagnóstico precoce procura identificar rapidamente a causa de sintomas ou alterações suspeitas que já estão presentes.

Quando devo falar com um médico sobre o meu risco de cancro?

É aconselhável fazê-lo quando existe história familiar relevante, exposição a fatores de risco, antecedentes pessoais importantes ou dúvidas sobre os programas de rastreio adequados à sua idade e situação.

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